segunda-feira, 4 de maio de 2020

REGISTOS DE UMA QUARENTENA, OU MAIS.



Episódio 14

Quanto mede um metro? Em tempos que já lá vão os metros não eram todos iguais, uns mediam mais, outros mediam menos, dependendo muito da precisão dos entalhes feitos no varapau que servia de bitola.
Depois, há mais de duzentos anos, lá na França de Napoleão, uns senhores muito sensatos e inteligentes resolveram arranjar forma para que o metro fosse igual em todo o lado a começar pelo seu próprio país.
Então, voltas e mais voltas, decidiram que uma maneira simples e expedita seria medir o meridiano terrestre (o que passava por Paris claro), depois dividia-se por quatro e o resultado por dez milhões e tínhamos o metro. E, para que do feito ficasse memória, foi fundido um modelo, o tal metro-padrão, em platina iridiada, um luxo só possível pelo financiamento através de campanhas de angariação de fundos que Napoleão levou a efeito por toda a Europa e arredores.
A procura da verdade e a ânsia de rigor são apanágio do ser humano (tome-se como exemplo os números apresentados diariamente pela Sra Ministra da Saúde acerca das baixas provocadas pelo corona), daí que novos cientistas considerassem que o tal metro laboriosamente calculado com base no tamanho da Terra não media bem. O que mede bem é o metro calculado com base na velocidade da luz no vácuo! E não é que o conseguiram fazer. Agora um metro é a distância percorrida, no vácuo, por um raio de luz durante um intervalo de tempo correspondente a um segundo a dividir por cerca de trezentos milhões, estão a ver?
Mas esta medida da distância entre dois pontos, tem actualmente um uso alternativo: mede distanciamento social, que é uma coisa com raízes na Sociologia. O distanciamento de duas unidades daquela medida é o limiar de segurança, menos do que isso é perigoso.
Com toda a propriedade se diria afastamento físico, mas não seria bonito, nem ficava bem. Pior seria que as pessoas na iminência de se cruzarem, dentro do limiar de segurança fossem aconselhadas a dizer vade retro!

3 de Maio de 2020.

Sanchez Antunes

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