domingo, 12 de abril de 2020

DIAS DE DESCOBERTA



Domingo, almoço comigo, frente a cadeiras vazias.
Do outro lado da janela, calaram-se os pássaros que acordaram a manhã.
Devem estar recolhidos, na frescura do verde, recente, das árvores da avenida.
Não me atraem a luz nem o brilho azul do longínquo rio. 
Estou só. 
Hoje, aceitei a minha incapacidade de mudar o curso deste tempo novo.
Amanhã, não sei. Posso rir ou chorar. 
Posso esgravatar no fundo deste buraco negro, e descobrir insuspeitados sinais de vida que vistam as horas. 
Talvez amanhã...
Hoje, estou sozinha, comigo, e com a recordação das cadeiras todas ocupadas.
12 Abril 2020
MAlice Silva

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