quarta-feira, 15 de abril de 2020

DOIS POEMAS DE MARIA DE SOUSA


TUDO O QUE EM MIM É TEOREMA
Há em mim um vagabundo habitante de azuis
que inventa poemas.

Mas tudo o que em mim é teorema
pertence a este país de prados e verdes permanentes,
roxos ocasionais e arco-íris de cinzento,

e, por muito que isso entristeça minha Mãe,
muito mais em mim é teorema que poema.


VAI-SE DE DEVER EMBORA
Vai-se de dever embora,
fica-lhe de promessa a hora

assim dividida parte

Senhor do Bomfim,
cuide-me de mim,

Senhor da Boa Nova,
cuide-me da nova hora,
assim pra trás, de dever deixada.

Maria de Sousa, in “A Hora e a Circunstância”

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