Se o sol aparecesse,
tudo pareceria menos silencioso.
Acordo muito tarde,
porque também me deito muito tarde. Mas não compensa. O acordar é sempre
nublado, cansado, preocupado, apreensivo.
O primeiro pensamento
vai invariavelmente para os seres mais chegados no amor. Filhos, netas, irmãos,
sobrinhos, incluindo os sobrinhos netos.
Depois, ou quase em
simultâneo, o que se passa, o que está a acontecer na vida lá fora, nas vidas
para lá das minhas paredes-
Parece que são dois
mundos, o nosso de cada um, fechados nos nossos muros, e os outros, os de
tantos outros, com tantos outros muros.
O interior dos muros
dos hospitais. O sofrimento, a dor, a doença, a morte.
E a esperança.
(O meu vizinho do lado
continua a sair todos os dias. Sai e entra quase em silêncio, mas o seu catarro
de fumador denuncia-o. O homem já anda nos 70 e é fumador inveterado. E bronco!
Espero que não traga a doença para o prédio…)
E neste momento o Sol
decidiu aparecer.
5 de Abril 2020
Natércia Fraga
Sem comentários:
Enviar um comentário